Hora de balanços

As últimas semanas do ano tem-se revelado ano após ano excelentes alturas para… não marcar nada! Há mil-e-uma coisas que nos comprometemos a fazer “ainda este ano”, a par das outras que somos obrigados a fazer, que acabam por não deixar tempo nenhum livre nessa altura.


Este foi um ano em que o volume de trabalho da moving2u se manteve a um nível elevado, seja em termos de projectos à medida, (em que se evoluiu a aplicação que desenvolvemos para Windows Embedded Handheld (aka Windows Mobile) a MRW utilizada a nível ibérico por mais de 2000 utilizadores que dela dependem para fazer as entregas e brevemente as recolhas, em que desenvolvemos a aplicação de picking para o maior grupo de hipermercados em Portugal, depois de já termos feito outra aplicação no mesmo âmbito para outro grupo de hipermercados), seja de desenvolvimento de produto, em que a nossa nova solução para logística (picking, invnetário, recepção de fornecedores, transferências, encomendas internas, …) foi implementada em alguns cenários muito específicos e que contamos disponibilizar em maior escala durante 2013 para os principais ERP, para além da manutenção da nossa solução para forças de venda, igualmente comercializada pela Primavera com marca própria, e das alterações necessárias à conformidade com a nova legislação para aplicações de faturação.
A par destes desenvolvimentos concretos, investimos uma importante percentagem de tempo dos nossos recursos em investigação, principalmente em plataformas móveis alternativas, no sentido de as avaliar quanto à sua adequabilidade para cenários “Line of business”.


2013 começa por marcar o reforço da equipa de desenvolvimento da moving2u com mais um elemento, de modo a acelerarmos o time-to-market de novas soluções e podermos ainda assim regir a solicitações de projectos por medida. 2013 será também o ano em que as decisões de incorporação de equipamentos de consumo nas organizações passará a uma nova etapa no seu amadurecimento, em que o Windows Embedded Handheld 6.5 continuará a ser a principal opção em termos de terminais robustos mas com a concorrência crescente do Android, esperando que o Windows Embedded Handheld 8, do qual se esperam mais detalhes a serem anunciados em Janeiro pela Microsoft, chegue igualmente a esse segmento de mercado.


A par da minha atividade profissional, recebi pela 10ª vez consecutiva o título de MVP pela Microsoft, esperando que 2013 volte a ter por parte desta um investimento na “mobilidade profissional” e nos eventos técnicos como acontecia até alguns anos atrás. Noutro campo, mais uma vez fiz menos km fora de estrada com o Discovery do que aquilo que gostaria, esperando que também nesse domínio 2013 seja melhor, e no domínio mais pessoal, não obstante 2012 ter sido o ano em que mais pessoas próximas de nós nos deixaram, tivemos excelentes momentos passados em família, seja em férias, seja nos momentos mais casuais.


Espero que 2013 vos traga um bom ano a todos, que o desemprego não se cruze convosco e que mantenham a atitude de mangas arregaçadas a nível profissional e também pessoal, para que não tenham nada a lamentar no final deste ano que agora se inicia.

O meu novo e inesperado gadget – ou "o Alberto tem um tablet Android"

 


Há mais de um ano que temos um iPad 2 na empresa que utilizo ocasionalmente em situações onde não se justifica – ou não convém – levar o PC, como um ou noutro fim de semana ou  em deslocações mais prolongadas. Um exemplo foi a minha última ida ao MVP Global Summit em Seattle em Fevereiro passado, em que me muni apenas do meu LG E900 com Windows Phone 7.5 e do iPad2, e em que dependi desses 2 equipamentos, sem ter sentido falta do PC. A par da minha utilização do iPad, as minhas filhas também se ambientaram rapidamente ao equipamento e não conseguia deixar de apreciar a naturalidade da mais nova de 4 anos a fechar aplicações ou alternar entre elas com os gestos com as mãozitas dela no ecrã.


Antes desta minha experiência com o iPad, já há muitos anos que apreciava o conceito tablet com sistema operativo Windows, desde o XP Tablet Edition. É um facto que o sistema operativo em si não estava orientado a esse tipo de utilização, mas algumas aplicações exploravam muito bem o conceito, nomeadamente o OneNote que permitia tirar notas manuscritas – e guardá-las nesse formato – e depois pesquisar palavras nessas notas. Escusam de tentar com qualquer iPad.


Convencido da utilidade desta nova geração de tablets, era com expetativa que aguardava o Windows 8, em particular as versões RT e tinha decidido que até ao final de 2012 compraria um tablet para utilização pessoal. A expetativa compreendia as vertentes da usabilidade – em que convence – e também do preço e disponibilidade.


Como alguns saberão, gosto muito de fazer todo o terreno com o meu Discovery, e “desde sempre” que utilizo equipamentos móveis  para navegação em fora de estrada. Comecei com PDAs PocketPC e Windows Mobile, com GPS externos por bluetooth, e com o OziExplorerCE, depois passei para o CompeGPS PocketLand, e mais recentemente adquiri o TwoNav. Na vertente PDA usei durante algum tempo o iMate Jasjar, pelo ecrã VGA e pelo teclado, mas andava à procura de um HTC Advantage a bom preço para ter uma solução com ecrã maior e GPS incorporado. Nos últimos tempos desenhava-se a ideia de em vez de gastar 150 a 200€ num Advantage usado, comprar um tablet Android, o mais barato que tivesse GPS ou com Bluetooth, exclusivamente para usar com o TwoNav no jipe.


Em meados de Dezembro, para validar um cenário em termos de desenvolvimento, adquirimos um tablet Samsung de 7″ e Android 4.0. Não lhe liguei nenhuma até ao último fim de semana do ano em que o levei para casa para experimentar.


Não vou dizer que foi uma epifania ou que vi a luz. Mas em 2 dias fiquei rendido ao conceito de tablet de 7″ pela conveniência, e mais uma vez as pequenitas avalizaram o equipamento, pela vertente de jogos (desde que tivesse o TempleRun a que estavam habituadas no iPad…). No dia 31 encontrei o João Cardoso online, e como sabia que ele tinha um Nexus 7 estive a partilhar a experiência do fim de semana com ele e acabei convencido e a ir a correr comprar à Fnac de Coimbra o último Nexus 7 de 32Gb que tinham! Conseguia assim com 249€ comprar um equipamento útil no dia-a-dia, que podia utilizar no jipe e que serve para entreter as minhas filhas.


A escolha no Nexus deveu-se às características de hardware do equipamento e a ter na versão de Android 4.2.1 a possibilidade de ter perfis de utilizador no equipamento, funcionalidade que só encontrava no Windows 8 e que o iPad não inclui. A escolha ficou facilitada pela diferença de preço para o iPad Mini e para os poucos equipamentos Windows 8 RT disponíveis em Portugal à data.


4 dias depois estou satisfeito com o Nexus 7, conto na próxima ida ao estrangeiro levá-lo em vez do iPad, e não tenho problema em admitir que o Android 4.x em tablets me surpreendeu positivamente. No entanto, se as aplicações em equipamentos Android correm tão bem quanto no iPad, é um facto inquestionável que o sistema operativo em si não é tão polido como o iOS, e que gestos standardizados para alternar entre aplicações seriam bem-vindos. Além disso, não me lembro de alguma vez ter tido algum erro de uma aplicação nativa no iPad 2 (que está com iOS), mas com o Nexus, a aplicação de Settings já “rebentou” uma vez, e a aplicação de relógio do sistema operativo “rebenta” frequentemente.  Também me chocou não conseguir adicionar as minhas contas de Office 365 pessoal e da empresa, sem ter de indicar manualmente o endereço do servidor – no Windows Phone 7 e no iPad essas definições são recuperadas automaticamente, bem como tentar adicionar uma conta de email Live da minha filha, obter uma mensagem a dizer para aguardar, que o download começaria em breve, e horas depois continuar na mesma, ate descobrir por uma pesquisa na internet, que há um setting que tinha de ser alterado para esse efeito.


Antes que comecem a questionar se “this is the Alberto that I used to know”, sim, sim é o mesmo! Acreditem que foi preciso uma abertura de espírito muito maior para adoptar o Windows CE em 1999 e os seus derivados nos anos seguintes, em contraciclo com as opções politicamente correctas da altura, como os PalmPilot ou o Apple Newton, e parafraseando uma frase muito batida há uns anos, sempre tentei seguir o mote de “não negue à partida uma ciência que não conhece”! A adopção de um tablet Android não representa para mim nenhuma viragem, simplesmente admito que pelas razões apresentadas acima me pareceu a escolha mais acertada, e com a utilização dessa plataforma poderei tomar decisões mais fundamentadas sobre a viabilidade da plataforma para o desenvolvimento de aplicações profissionais, a par do que temos vindo a fazer com o iOS.


Quanto ao desenvolvimento de aplicações a título pessoal, vou continuar focado no Windows 8 e Windows Phone 8. Como dizia alguém no Twitter, Objective C é pior que Euskera (basco) e Java para mim só é sinónimo de café :)