O meu novo e inesperado gadget – ou "o Alberto tem um tablet Android"

 


Há mais de um ano que temos um iPad 2 na empresa que utilizo ocasionalmente em situações onde não se justifica – ou não convém – levar o PC, como um ou noutro fim de semana ou  em deslocações mais prolongadas. Um exemplo foi a minha última ida ao MVP Global Summit em Seattle em Fevereiro passado, em que me muni apenas do meu LG E900 com Windows Phone 7.5 e do iPad2, e em que dependi desses 2 equipamentos, sem ter sentido falta do PC. A par da minha utilização do iPad, as minhas filhas também se ambientaram rapidamente ao equipamento e não conseguia deixar de apreciar a naturalidade da mais nova de 4 anos a fechar aplicações ou alternar entre elas com os gestos com as mãozitas dela no ecrã.


Antes desta minha experiência com o iPad, já há muitos anos que apreciava o conceito tablet com sistema operativo Windows, desde o XP Tablet Edition. É um facto que o sistema operativo em si não estava orientado a esse tipo de utilização, mas algumas aplicações exploravam muito bem o conceito, nomeadamente o OneNote que permitia tirar notas manuscritas – e guardá-las nesse formato – e depois pesquisar palavras nessas notas. Escusam de tentar com qualquer iPad.


Convencido da utilidade desta nova geração de tablets, era com expetativa que aguardava o Windows 8, em particular as versões RT e tinha decidido que até ao final de 2012 compraria um tablet para utilização pessoal. A expetativa compreendia as vertentes da usabilidade – em que convence – e também do preço e disponibilidade.


Como alguns saberão, gosto muito de fazer todo o terreno com o meu Discovery, e “desde sempre” que utilizo equipamentos móveis  para navegação em fora de estrada. Comecei com PDAs PocketPC e Windows Mobile, com GPS externos por bluetooth, e com o OziExplorerCE, depois passei para o CompeGPS PocketLand, e mais recentemente adquiri o TwoNav. Na vertente PDA usei durante algum tempo o iMate Jasjar, pelo ecrã VGA e pelo teclado, mas andava à procura de um HTC Advantage a bom preço para ter uma solução com ecrã maior e GPS incorporado. Nos últimos tempos desenhava-se a ideia de em vez de gastar 150 a 200€ num Advantage usado, comprar um tablet Android, o mais barato que tivesse GPS ou com Bluetooth, exclusivamente para usar com o TwoNav no jipe.


Em meados de Dezembro, para validar um cenário em termos de desenvolvimento, adquirimos um tablet Samsung de 7″ e Android 4.0. Não lhe liguei nenhuma até ao último fim de semana do ano em que o levei para casa para experimentar.


Não vou dizer que foi uma epifania ou que vi a luz. Mas em 2 dias fiquei rendido ao conceito de tablet de 7″ pela conveniência, e mais uma vez as pequenitas avalizaram o equipamento, pela vertente de jogos (desde que tivesse o TempleRun a que estavam habituadas no iPad…). No dia 31 encontrei o João Cardoso online, e como sabia que ele tinha um Nexus 7 estive a partilhar a experiência do fim de semana com ele e acabei convencido e a ir a correr comprar à Fnac de Coimbra o último Nexus 7 de 32Gb que tinham! Conseguia assim com 249€ comprar um equipamento útil no dia-a-dia, que podia utilizar no jipe e que serve para entreter as minhas filhas.


A escolha no Nexus deveu-se às características de hardware do equipamento e a ter na versão de Android 4.2.1 a possibilidade de ter perfis de utilizador no equipamento, funcionalidade que só encontrava no Windows 8 e que o iPad não inclui. A escolha ficou facilitada pela diferença de preço para o iPad Mini e para os poucos equipamentos Windows 8 RT disponíveis em Portugal à data.


4 dias depois estou satisfeito com o Nexus 7, conto na próxima ida ao estrangeiro levá-lo em vez do iPad, e não tenho problema em admitir que o Android 4.x em tablets me surpreendeu positivamente. No entanto, se as aplicações em equipamentos Android correm tão bem quanto no iPad, é um facto inquestionável que o sistema operativo em si não é tão polido como o iOS, e que gestos standardizados para alternar entre aplicações seriam bem-vindos. Além disso, não me lembro de alguma vez ter tido algum erro de uma aplicação nativa no iPad 2 (que está com iOS), mas com o Nexus, a aplicação de Settings já “rebentou” uma vez, e a aplicação de relógio do sistema operativo “rebenta” frequentemente.  Também me chocou não conseguir adicionar as minhas contas de Office 365 pessoal e da empresa, sem ter de indicar manualmente o endereço do servidor – no Windows Phone 7 e no iPad essas definições são recuperadas automaticamente, bem como tentar adicionar uma conta de email Live da minha filha, obter uma mensagem a dizer para aguardar, que o download começaria em breve, e horas depois continuar na mesma, ate descobrir por uma pesquisa na internet, que há um setting que tinha de ser alterado para esse efeito.


Antes que comecem a questionar se “this is the Alberto that I used to know”, sim, sim é o mesmo! Acreditem que foi preciso uma abertura de espírito muito maior para adoptar o Windows CE em 1999 e os seus derivados nos anos seguintes, em contraciclo com as opções politicamente correctas da altura, como os PalmPilot ou o Apple Newton, e parafraseando uma frase muito batida há uns anos, sempre tentei seguir o mote de “não negue à partida uma ciência que não conhece”! A adopção de um tablet Android não representa para mim nenhuma viragem, simplesmente admito que pelas razões apresentadas acima me pareceu a escolha mais acertada, e com a utilização dessa plataforma poderei tomar decisões mais fundamentadas sobre a viabilidade da plataforma para o desenvolvimento de aplicações profissionais, a par do que temos vindo a fazer com o iOS.


Quanto ao desenvolvimento de aplicações a título pessoal, vou continuar focado no Windows 8 e Windows Phone 8. Como dizia alguém no Twitter, Objective C é pior que Euskera (basco) e Java para mim só é sinónimo de café :)

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